5 de abr de 2007

Sobra grana no mercado

Este tema nem tem a ver diretamente com franquias... Mas tem a ver com negócios. E acaba resvalando para as franquias. Me refiro a algo que vem me angustiando há tempos: a percepção de que, ao contrário do que muitos dizem por aí, não falta dinheiro no mercado para investir em novos projetos e negócios. Aliás, é bem o contrário. Sobra grana no mercado.

Por força dos novos rumos que minha consultoria tomou nos últimos anos e também do meu envolvimento direto (e cada vez mais intenso) com a Endeavor Global (como membro do seu Global Advisory Board e Painelista nos Painéis Internacionais de Seleção de novos empreendedores) e a Endeavor Brasil (como consultor voluntário), tenho mantido muitos contatos com financistas, investidores, donos e executivos de fundos de investimentos, presidentes de bancos de investimentos, angel investors, venture capitalists e o diabo a quatro. E percebo o desaponto e a inquietação deles por terem grana sobrando e não encontrarem projetos bons para investir esses recursos.

Hoje, lendo um texto do (quase sempre) genial Seth Godin, autor de A Vaca Roxa e outras obras, vi a luz. Sim, irmãos, eu vi a luz! De repente ficou claro para mim que o que falta no mercado não são bons projetos, nem bons obreiros para tocar as tarefas do dia-a-dia, nem muito menos grana. Tudo isso tem aos montes. O que falta é aquilo que Seth Godin chama de "carregadores de tocha", gente disposta a se levantar, olhar um por um na sala, olhos nos olhos, e dizer "vou fazer isso acontecer".

Não me refiro a carinhas com esse discurso, pretensos fazedores, mas que não passam de "Rolando Leros". Esses, como diria minha falecida mãe, "o diabo caga às dúzias".

Me refiro a gente que assume responsabilidades e não inventa desculpas, com boa capacidade de liderança, verdadeiros flautistas de Hamelin (as pessoas tendem a ser fascinadas e a seguir quem tem coragem para assumir responsabilidades). Gente que tem paixão pelo que faz e fica feliz em desempenhar as tarefas que se propõe, sem viadagens e sem fazer exigências absurdas à la popstar. Gente (como bem diz Godin) mais preocupada em avançar do que em escolher o caminho e totalmente determinada, que não se detém até que o resultado almejado seja atingido. E que faz tudo isso sem abrir mão de seus valores, sem trair seus amigos e seguidores, sem fazer sacanagem com ninguém.

"Carregadores de tocha" são raros, muito raros, cada vez mais raros. E, por isso mesmo, são valorizados. Afinal, toda pessoa, empresa ou comunidade tende a valorizar o bem que lhe é escasso.