4 de ago de 2008

Você serve para ser um gestor?

O texto a seguir é de autoria do meu amigo e guru Clemente Nobrega, com quem tenho tido a honra e o prazer de tocar em conjunto alguns projetos altamente desafiadores. E com quem tenho aprendido lições bem valiosas.

O texto, originalmente publicado no seu blog (blog que, aliás, eu coloquei na lista de recomendados, aí ao lado), fala de coisas essenciais para o futuro de qualquer um que seja, ou pretenda ser, um gestor de qualquer tipo de negócio ou organização, com ou sem fins lucrativos. E até mesmo de uma casa, uma igreja ou uma escrivaninha:

Gestão - você dá mesmo para isso? (texto de Clemente Nobrega)

A teoria na qual o gestor tem de se basear para gerar resultados é o mecanismo mental que ele põe em marcha para prever quais causas produzem quais efeitos. Uma narrativa dentro de sua mente que diz assim: “para obter aquilo, eu tenho de fazer isso”.

Se ele for ruim em relacionar causas com efeitos, babau. Perdeu. Ele faz coisas, acorda cedo, trabalha, se esforça, e o resultado não vem. É apenas um perdedor esforçado. É prático pacas, mas nada de útil resulta dessa prática. Se fosse um cirurgião, operaria mais que qualquer outro, mas seus pacientes morreriam.

Você pode não gostar desse pragmatismo. Admito que soa meio rude, meio politicamente incorreto. Antes que reclamem: não estou dizendo que vale tudo para se obter resultado, não estou fazendo considerações éticas, nem dando conselhos.

Não sei se você vai ser feliz com essa coisa de focar em resultado.Tem gente que não é. Se você não for feliz com isso, deve mudar de profissão. A mãe de todas as leis em gestão é (deixa eu repetir): Gestão tem a ver com resultado e não com esforço. Esforço é input, Gestão é output.

É comum ficarmos repetindo conceitos e idéias das quais, à primeira vista, ninguém discordaria, mas que podem ser ou triviais ("ouça o cliente") ou enganosas ("pergunte o que o cliente quer") ou simplesmente suicidas ("faça o que o cliente quer").

Numa cena do filme Patton, o general (representado pelo ator George C. Scott), falando para seus comandados antes de uma batalha importante, diz naquele linguajar típico de seu estilo: “Lembrem-se de que nunca nenhum bastardo jamais ganhou qualquer guerra morrendo pelo seu país. A maneira de ganhar guerras é fazer os idiotas do outro lado morrerem pelo país deles.”.

Perfeito para a mentalidade gestão, mas note que é precisamente o inverso do discurso usual.

Veja outra: dizem que o sucesso está dentro de você, que se você acreditar em você mesmo ele virá. Mas o sucesso realmente está é fora de você. Alguém (que não você) tem de acreditar em você, se não o caro leitor será um perdedor mesmo que tenha uma fé granítica em si mesmo.

Lá fora há milhares de pessoas infelizes comprando livros de auto-ajuda e deixando cada vez mais felizes os autores desses livros. Eles, autores, são um sucesso, as pessoas que compram seus livros não. É irrelevante se os autores acreditam ou não neles mesmos, o importante é que outros acreditem.

Acreditar em si mesmo só é importante se levar outros a acreditarem em você. Só para isso.

Há milhões de malucos, lunáticos, alucinados, que acreditam piamente em si mesmos. Como ninguém mais acredita, eles são apenas isso mesmo: malucos, fanáticos, alucinados. Não podemos partir do princípio de que ter um sonho obsessivo seja um bom começo.

A maioria - (a esmagadora maioria) - dos sonhos não se torna realidade. Não é verdade que se você pode sonhar, você pode fazer. Se você pode sonhar você é, em princípio, apenas um sonhador. Você só chegará a algo se orientar sua ação para o que realmente conta para o resultado que quer alcançar. Só se tiver mentalidade gestão.

O mundo está atulhado de sonhos que viraram pesadelos.