28 de mar de 2009

Contra a empulhação - mais um texto brilhante do Clemente Nobrega

Meu amigo Clemente Nobrega (foto) postou ontem, em seu excelente blog, um texto que achei genial, descendo merecido cacete sobre a infeliz, desconcertante e preconceituosa fala do presidente Lula a respeito dos “banqueiros de olhos azuis”. Gostei tanto que vou me permitir reproduzir o tal texto aqui:

Contra a empulhação – texto de Clemente Nobrega:

Ao leitor que assina “KM” e mandou e-mail reclamando de meu “tom preconceituoso” no post anterior.

Preconceito? Claro que é. Preconceito contra o estereótipo politicamente correto “viva-os-pobres-índios-negros. Eles estão do lado do bem. Morte-aos-ricos-de-olhos-azuis. Eles são o mal”.

Seguinte: empulhação deseduca, infantiliza e puxa pra trás; por isso, este humilde blogueiro (hmmm…) denuncia quando detecta e está a fim de fazer dois posts no mesmo dia, como hoje. Ninguém precisa me mandar mensagens sobre meu “preconceito”. Conheço todos esses argumentos. Poupem meu disco rígido.

Esse negócio de “banqueiros malvados versus pobres desprotegidos” é EMPULHAÇÃO.

Africanos esquálidos, de cabelo pixaim, explorados por louros nórdicos (de olhos azuis, claro) é estereótipo empulhativo.

Asiáticos pobrezinnhos escravizados por grandes multinacionais malvadas idem.

Dividir o mundo em “bonzinhos” sem voz e “mauzões“ sem compaixão, é EMPULHAÇÃO. Paternalismo com “excluídos” - populações negras, mulheres, índios, pobres do bolsa-família… ajuda a perpetuar a situação em que (supostamente) estão.

Para mim, KM, é intolerável que um líder faça um discurso desses.

Os banqueiros, motivados por ambição desmedida, deram crédito adoidado a quem não poderiam ter dado? Deram. E quem pegou o crédito, não tem responsabilidade por nada não? “Ah,doutor, eu peguei uns empréstimos aí e comprei umas casinhas em Las Vegas porque os banqueiros malvados disseram que eu podia. A culpa é deles!”

Quer dizer, o cara não sabia que não teria como pagar. O banqueiro é que tinha de saber. Essa conversa mole de culpar “os maus” e retirar qualquer responsabilidade dos “excluídos” vai incentivar a formação de multidões débeis-mentais.

A única intervenção que considero razoável em favor de “minorias excluídas” é a do tipo que garante que elas não serão impedidas de entrar no jogo por serem, de alguma maneira, mais fracas. Sou a favor de medidas que garantam oportunidades para que se entre na competição em condições mínimas de igualdade.

Agora, uma vez assegurado isso, é cada pessoa, individualmente, que tem de assumir a responsabilidade pelo que acontece com ela.