20 de fev de 2009

A crise, as empresas e você

Vou repetir o óbvio: a crise não afeta as empresas - nem as pessoas - de forma linear.

Tem gente apavorada porque a Embraer despediu 20% de sua força de trabalho, achando que isso é sinal do fim dos tempos, ou, pelo menos, de que o Brasil está indo para o buraco.

Ora, em julho do ano passado, a fila de espera por um jato executivo Legacy, fabricado por ela (aquele que bateu no Boeing da Gol e continuou voando), era de quase 4 anos. Tinha gente de várias partes do mundo tão loucas para ter um desses que sei de empresário que tentou “comprar o lugar na fila” de outro empresário por US$ 250 mil.

Com o cancelamento da maioria das encomendas (quanto mais não seja, por pudor de executivos e empresários que, neste momento, acham que vai pegar mal trocar seu jatinho “velho” por um novo), quem quiser um Legacy agora não vai ter que esperar tanto.

Portanto, a empresa, que estava trabalhando à sua capacidade máxima, decidiu enxugar seus custos. Não porque esteja mal, ou porque vá quebrar, ou por achar que o mundo acabou. É bom lembrar que, por causa da crise e do cancelamento de encomendas, a estimativa de lucro da empresa para 2009 foi reduzida para “apenas” US$ 5,5 Bilhões. Ninguém fala em prejuízo. E muito menos em quebra.

É bom lembrar também que a Vale lucrou R$ 10,4 Bilhões no último trimestre de 2008 (em plena crise).

Lula e seus ministros esperneiam por causa do ato da Embraer. Mas, estranhamente, não esperneiam quando o assunto são os spreads praticados pelo Banco do Brasil ou pela Caixa Econômica Federal...

Querem reativar a economia? Reduzam esses spreads, reduzam os gastos correntes do Governo, reduzam a carga tributária (que voltou a bater mais um recorde).

Estamos em crise, não há dúvida, mas tente ir jantar no DOM, no Carlota ou no Piselli sem fazer reserva...

Nesta terça, levei um casal de noruegueses amigos da minha filha para jantar no Brasil a Gosto, da Maria Luiza Trajano, filha da Luiza Helena, do Magazine Luiza (o melhor restaurante de comida brasileira de SP, na minha opinião). Chegamos lá às 22h, sem reserva. E tivemos que nos acomodar numa mesa menor do que a que precisávamos, até que uma mesa maior vagasse. Afinal, o restaurante estava cheio. Numa terça-feira normal !!!

Tente comprar um Honda FIT automático (um carro pequeno, mas que custa R$ 60.000,00). A fila de espera nas revendas autorizadas é de pelo menos 60 dias. E, no mercado paralelo, cobram ágio de até 10% para entrega imediata.

Um fato indiscutível é que a crise (que ninguém nega que exista e que vem golpeando violentamente alguns segmentos empresariais) está levando a vasta maioria das empresas a buscar mais eficiência e mais produtividade.

Empresas que nunca haviam pensado nisso antes (porque vivíamos um tempo de vacas gordas) estão adotando o tal Orçamento Base Zero, que a AMBEV e as empresas controladas pela GP Investimentos usam há anos.

E disso, certamente, resultará a descontinuidade de produtos e serviços que já não deveriam estar sendo oferecidos ao mercado, a simplificação de processos e de estruturas (que já deveriam ter sido alterados há tempos, mas, por pura falta de análise, não o foram) e, é claro, a eliminação de postos de trabalho e/ou a dispensa de colaboradores que já não fazem sentido, por não agregarem valor.

Fique atento a isso, seja você um funcionário, um diretor, um empresário, um prestador de serviço, o que for: se você não adicionar valor a quem paga pelo que você faz, ou a quem paga quem paga pelo que você faz, você vai dançar. Sem choro, nem vela.

Trate de se tornar um recurso. De preferência, um recurso indispensável.

Como diria o Conselheiro Acácio, se você for indispensável, não será dispensado.

Pense nisso.