1 de fev de 2010

Meu amigo e guru Clemente Nobrega escreve sobre o iPad e as redes

Tomo a liberdade de reproduzir aqui um texto que o meu amigo, parceiro e guru Clemente Nobrega publicou no seu blog. Note que o que ele fala da força das redes não se aplica apenas às chamadas redes sociais (Twitter, Facebook, etc), mas a qualquer tipo de rede. Inclusive uma rede de franquias, uma rede de contatos pessoais, a própria Internet (que nada mais é do que uma rede de computadores), uma rede de agências, de corretores, de vendedores porta-a-porta. Portanto, quando pensar em negócios, convém pensar rede. Mas vamos ao texto do Clemente:

O iPad será um sucesso. Por que? Jobs to be done. [texto de Clemente Nobrega]

Estou hiper-enrolado chegando da Argentina (trabalho, rapazes), mas não quero deixar de atualizar o blog e provocar vocês um pouco. Uma das razões do (muito provável) grande sucesso do iPad é o fato dele poder se integrar a mais redes do que qualquer outra coisa existente: a rede de telecom, a rede de computação normal e a rede de usuários de aplicações multimídia.

Já escrevi aqui sobre a força das redes. Uma rede compõe seus ganhos exponencialmente porque seu valor aumenta exponencialmente: se tem N nós, vale N**2. Se tem 10 nós, vale 100. Se o número de nós aumenta 10% passa a ter 11, mas passa a valer 121. O valor aumenta 20% e mais gente passa a querer entrar nela por causa disso, o que aumenta ainda mais seu valor atrai mais gente, etc…Quanto mais você tem, mais tem. Retornos crescentes, certo?

Isso é uma indicação bacaninha, mas não é a principal. A rede de usuários do iPad poderá compor seu valor exponencialmente PORQUE ele tem um enorme potencial de realizar de forma mais conveniente certas tarefas que as pessoas desejam realizar no seu dia-a-dia. Você pode ler (jornais, livros, relatórios..), fazer sua computação básica, mandar e receber e-mails ,navegar, etc… Essas são tarefas de todo dia para pessoas como eu por exemplo, pessoas que viajam muito e carregam jornais, livros, papéis, cadernos de anotações, smartphones e laptop para cima e para baixo (mesmo quando não viajam). As tarefas (jobs to be done) que esses vários objetos realizam surgem em janelas de tempo muito próximas no dia-a -dia e, antes do iPad, você tinha de carregar diferentes ferramentas para realizá-las. Uma ou outra “deficiência” poderia me impedir de ter um iPad agora (não tem portas para conectar projetores, por exemplo) mas isso é só questão de (pouco) tempo. Não há empecilho tecnológico para que aconteça logo. Você não precisa ser perfeito, só precisa ser melhor do que o que existe. E o que existe para mim é uma mochila abarrotada e dor nas costas no fim do dia.

A chave da coisa aqui são os JOB TO BE DONE - tarefas que queremos realizar todo dia / várias vezes por dia e para as quais não há solução integrada razoável.

O canivete suíço não é um sucesso. Nós não usamos seus componentes - cortador de unha, abridor de garrafa, tesoura, alicate, abridor de lata, nas mesmas janelas de tempo. A menos que você more numa barraca de camping (limitação de espaço), o canivete suíço traz mais aporrinhação do que solução porque é chato de carregar e os JOBS que realiza estão espalhados em circunstâncias diferentes nas vidas das pessoas (além de ser um saco usar qualquer de suas funções quando você precisa).

Já o BlackBerry é um ótimo “canivete suíço”. Qual o JOB que um BlackBerry realizava quando surgiu? Era o seguinte: quero aproveitar ao máximo pequenos intervalos de tempo livre que surgem no meu dia-a-dia. Enquanto ando do avião para o táxi, enquanto espero no trânsito. A versão original do BlackBerry tinha só e-mail para realizar esse job. Há outras coisas que realizam o mesmo JOB (quero explorar pequenas janelas de tempo disponível que se abrem no dia-a-dia)? Sim, falar ao celular por exemplo. Era previsível então que o e-mail e o celular fossem convergir num mesmo aparelho porque ambos realizam o mesmo JOB (maximizar minha produtividade) nos mesmos momentos da vida de uma pessoa.

O iPad será um sucesso porque já está comprovado que existe um mercado mais do que interessante para e-readers e netbooks. A Apple aposta que pode matar os produtos existentes, juntando num só os produtos utilizados para realizar os respectivos Jobs. E que fará isso de forma mais elegante, simples e conveniente do que o que existe. Faz todo sentido.