4 de jan de 2011

O segredo do sucesso

Este ano, a Convenção Anual da National Retail Federation, a 100ª da história da entidade, estará lotada de atrações, incluindo um pavilhão inteiro dedicado ao Visual Merchandising e outro à Sinalização de Pontos de Venda. Sem falar na quantidade imensa de hardwares e softwares destinados a propiciar experiências de consumo mais agradáveis e a abastecer o gestor do ponto de venda com informações detalhadas sobre cada aspecto do negócio.

Temos, você, eu, e todos os demais que forem a esse evento, pleno direito de nos maravilharmos com o que veremos lá. Contudo, não nos deixemos ofuscar pelo brilho excessivo de certos aparatos e/ou pelo palavreado empolado dos promotores desses apetrechos. É crucial que nos mantenhamos atentos ao fato de que toda a parafernália que veremos é mero ferramental. Utilíssimo, em muitos casos. Mas incapaz de substituir a inteligência, a sensibilidade, a capacidade de análise e a coragem para tomar a decisão certa, no momento certo, pelos motivos certos, que devem caracterizar os bons gestores... inclusive varejistas.

Olhe em volta e você vai constatar que nenhum negócio deve seu sucesso à Tecnologia acima de tudo. Nem mesmo os negócios cujo produto é Tecnologia. O que importa é gente. E Gestão... que depende de gente.

O sucesso em qualquer negócio de qualquer ramo ainda continua dependendo da capacidade das pessoas responsáveis pela tomada de decisões de captar, compreender e atender as necessidades, expressas ou implícitas, reais ou meramente percebidas, de seu público-alvo. Mudando rapidamente o que for preciso, à medida que essas necessidades mudam. Agindo para tornar a marca, a empresa e seus produtos relevantes para o cliente. Servindo a este o que ele quer comprar, do jeito como quer comprar, pelo preço que está disposto a pagar. Lembrando que o cliente sempre comprará pelas razões dele, nunca pelas nossas...

E mesmo isso não basta: é preciso fazê-lo dentro de uma equação financeira que garanta que - ao menos no médio e longo prazos - entre no Caixa da empresa mais grana do que sai. Ou saia menos grana do que entra. Continuamente. Dia após dia, mês após mês, ano após ano. Do contrário, o negócio quebra. Salvo no caso de certas estatais e organizações assemelhadas, que sobrevivem graças aos bons ofícios de governos generosos, não há negócio que resista por um longo período a um fluxo de caixa negativo.

Portanto, proponho que, durante todo o tempo em que estivermos em Nova York, nos maravilhemos com todas as novidades que veremos por lá. Muitas adaptáveis ao Brasil e a negócios de vários tamanhos. Outras, nem tanto.

Mas em momento nenhum vamos perder a noção de que, quanto mais as coisas mudam, mais sua essência permanece a mesma.