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Procuro ampliar horizontes. Os meus e os daqueles que me cercam. 1% ao dia, todos os dias.
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Estou no Aeroporto Santos Dumont, aguardado o vôo para São Paulo. Evidentemente, está com quase uma hora de atraso. No Brasil de hoje, graças a uma sucessão de safadezas, descuidos e absoluta irresponsabilidade, quando um vôo de 35 minutos atrasa "SÓ" 1 hora para decolar, a gente tem que dar graças aos céus. E também precisa dar graças à Vex, por existir e por propiciar acesso de boa qualidade à Internet a quem fica plantado na Sala de Embarque.
Ontem à noite, fiz uma palestra no Fórum de Varejo, uma idéia interessante do Luiz Antonio Secco. Na platéia, varejistas cariocas de diversos ramos. Na maioria, médios empresários. Respondendo a uma das perguntas, citei o livro de Michael Gerber, "O Mito do Empreendedor", que foi relançado no Brasil algum tempo atrás com o título "Empreendender fazendo a diferença". Ou algo assim.
Vale a pena ler. Na obra, Gerber mostra que todo negócio deveria ser estruturado como uma franquia... mesmo que seu dono não tenha a menor intenção de franqueá-lo. O motivo? É a melhor forma de tornar o negócio mais dependente de processos do que de pessoas. Ou, ao menos, de certas pessoas específicas... inclusive (e especialmente) o próprio dono/fundador.
Isso torna o negócio mais vendável. E todo negócio deveria ser visto e tratado como um ativo vendável. O dono pode até não vendê-lo, mas porque não quer; e não porque não pode.
Tempos atrás, a MMartan decidiu expandir sua rede de pontos de venda concedendo franquias. Embora todos os estudos mostrassem que seria um bom negócio, tanto para a empresa, como para seus eventuais franqueados, a diretoria não estava segura. Principalmente com relação aos franqueados.
Como não queria arriscar mais do que o necessário, limitou sua expansão inicial a 3 franquias, instaladas em diferentes regiões do País. Se, depois de um tempo razoável de operação, os franqueados se mostrassem satisfeitos, daria continuidade à expansão envolvendo terceiros. Do contrário, recompraria as franquias e seguiria crescendo apenas com lojas próprias.
Pois os franqueados iniciais se mostraram de tal forma satisfeitos que 2 deles já abriram uma segunda franquia cada um. E querem mais. E, assim, a MMartan resolveu seguir com a expansão via franquias.
Este tema nem tem a ver diretamente com franquias... Mas tem a ver com negócios. E acaba resvalando para as franquias. Me refiro a algo que vem me angustiando há tempos: a percepção de que, ao contrário do que muitos dizem por aí, não falta dinheiro no mercado para investir em novos projetos e negócios. Aliás, é bem o contrário. Sobra grana no mercado.
Por força dos novos rumos que minha consultoria tomou nos últimos anos e também do meu envolvimento direto (e cada vez mais intenso) com a Endeavor Global (como membro do seu Global Advisory Board e Painelista nos Painéis Internacionais de Seleção de novos empreendedores) e a Endeavor Brasil (como consultor voluntário), tenho mantido muitos contatos com financistas, investidores, donos e executivos de fundos de investimentos, presidentes de bancos de investimentos, angel investors, venture capitalists e o diabo a quatro. E percebo o desaponto e a inquietação deles por terem grana sobrando e não encontrarem projetos bons para investir esses recursos.
Hoje, lendo um texto do (quase sempre) genial Seth Godin, autor de A Vaca Roxa e outras obras, vi a luz. Sim, irmãos, eu vi a luz! De repente ficou claro para mim que o que falta no mercado não são bons projetos, nem bons obreiros para tocar as tarefas do dia-a-dia, nem muito menos grana. Tudo isso tem aos montes. O que falta é aquilo que Seth Godin chama de "carregadores de tocha", gente disposta a se levantar, olhar um por um na sala, olhos nos olhos, e dizer "vou fazer isso acontecer".
Não me refiro a carinhas com esse discurso, pretensos fazedores, mas que não passam de "Rolando Leros". Esses, como diria minha falecida mãe, "o diabo caga às dúzias".
Me refiro a gente que assume responsabilidades e não inventa desculpas, com boa capacidade de liderança, verdadeiros flautistas de Hamelin (as pessoas tendem a ser fascinadas e a seguir quem tem coragem para assumir responsabilidades). Gente que tem paixão pelo que faz e fica feliz em desempenhar as tarefas que se propõe, sem viadagens e sem fazer exigências absurdas à la popstar. Gente (como bem diz Godin) mais preocupada em avançar do que em escolher o caminho e totalmente determinada, que não se detém até que o resultado almejado seja atingido. E que faz tudo isso sem abrir mão de seus valores, sem trair seus amigos e seguidores, sem fazer sacanagem com ninguém.
"Carregadores de tocha" são raros, muito raros, cada vez mais raros. E, por isso mesmo, são valorizados. Afinal, toda pessoa, empresa ou comunidade tende a valorizar o bem que lhe é escasso.