9 de fev. de 2009

No que você é realmente bom?

Seth Godin é autor de uma série de livros bastante instigantes, para dizer o mínimo (A Vaca Roxa, Todo Marqueteiro é Mentiroso, The Dip, Moo e vários outros). O cara está longe de ser unanimidade. Tem gente que odeia e gente que adora. Eu me incluo entre seus fãs. Seus escritos geralmente me fazem parar para pensar e me forçam a rever algum conceito antigo. E eu adoro ser provocado a repensar minhas velhas certezas. Mas conheço gente super competente e inteligente que não pode nem ouvir o nome do sujeito sem ficar com urticária.

Recentemente, li (mais) um texto dele que me fez parar para pensar. E que vou resumir aqui:

Godin sugere que, quando estiver pensando em como conseguir seu próximo emprego, ou projeto, ou oportunidade, você leve em consideração as diferenças que existem entre Processo e Conteúdo.

Conteúdo, diz ele, é o conhecimento que você domina. Inclui, por exemplo, as pessoas que você conhece (e que podem, de alguma forma, ser úteis para o desempenho das tarefas que lhe cabem) ou alguma habilidade (ou um conjunto de habilidades) que você desenvolveu e que podem ser importantes para o tal emprego ou projeto. Como, por exemplo, tocar piano, ou saber fazer planilhas em Excel, ou falar Inglês, ou ser formado em Direito.

Conteúdo, segundo ele, é importante. Mas, em boa parte dos casos, é algo que outra pessoa pode adquirir. É “aprendível”, como diz Godin.

Já Processo envolve sua inteligência emocional relacionada, por exemplo, a gerir projetos, visualizar o que é o sucesso de uma determinada atividade (ou de um conjunto de atividades), persuadir outras pessoas a adotarem seu ponto de vista ou a fazerem (ou deixarem de fazer) alguma coisa, lidar com múltiplas prioridades e assim por diante.

Tudo isso tem um valor enorme e é muito difícil de se aprender. E, infelizmente, é algo que muitos headhunters e muitos gestores de RH ainda não aprenderam a valorizar. Em parte porque é algo difícil de se identificar num currículo, ou num banco de dados.

Godin chama a atenção para o fato de que os caras de Venture Capital e gestores de Fundos, nos EUA, gostam de contratar - para tocar novos projetos - pessoas que já empreenderam uma, duas ou três vezes. Mesmo que tenham quebrado a cara. Mesmo que tenham falido nas suas tentativas anteriores. Porque esses caras costumam conhecer a fundo isso que ele chama da Processo, não porque sabem montar planilhas em Excel ou apresentações em Powerpoint.

Aliás, aqui ele toca num ponto que tenho discutido muito com meu guru (e parceiro em vários projetos de consultoria) Clemente Nobrega. Nem o Clemente nem eu conseguimos entender por que motivo, no Brasil, se despreza tanto quem já fracassou, quem já quebrou a cara em algum negócio. O fracasso pode ser o maior professor que alguém pode ter. Posso dizer, com tranquilidade, que aprendi mais com meus erros (e com os erros de outros) do que com meus acertos. Mas isso é papo para uma outra hora.

Godin finaliza seu texto dizendo que, num mundo onde tudo muda cada vez mais rápido e os conhecimentos (Conteúdo) acumulados perdem sua validade em prazos cada vez mais curtos, onde setores inteiros nascem ou somem, encolhem ou crescem loucamente, da noite para o dia, dominar isso que ela chama de Processo tem um valor incalculável.

E sugere que cada um precisa descobrir em que tipo de Processo é campeão. E aí dar um jeito de ficar ainda melhor nele. E só então se preocupar em aprender o Conteúdo, que quase sempre estará disponível na Internet ou em livros (que você pode encomendar pela Internet).

Na visão dele, uma das razões pelas quais muita gente talentosa resolve se tornar empreendedora, abrindo seu próprio negócio, é poder exercitar sua habilidade em Processo num mundo que, muitas vezes, não atribui valor a essa habilidade.

Ótimo texto na Veja desta semana

Na revista Veja desta semana, um texto não pode deixar de ser lido: a crÕnica do jornalista Roberto Pompeu de Toledo, na última página, que compara o PMDB ao Batista, personagem do livro Esaú e Jacó, do genial Machado de Assis.

Para quem não se lembra, no início do romance, nos tempos do Brasil Império, Batista era um hiper-conservador que, quando os liberais chegam ao poder se torna mais liberal do que qualquer outro ser vivo.

Mas eis que chega Deodoro da Fonseca e proclama a República. E se torna o nosso primeiro presidente. Não tem problema. Batista se torna o mais republicano dos republicanos, amigo de fé de Deodoro. Quando Deodoro cai e é substituído pelo vice-presidente, o Marechal Floriano Peixoto, Batista passa a bajular o novo líder da nação (eu disse "danação"? Pois é) e acaba ganhando mais um cargo público.

Lembra, ou não lembra, o PMDB?

7 de fev. de 2009

Surpresa boa

Lançado no final de outubro e tendo chegado à maioria das livrarias apenas na primeira ou segunda semana de novembro, meu livro SOMOS TODOS VENDEDORES, que contém 40 histórias reais de vendas, teve praticamente 1.300 exemplares vendidos até o dia 31/12/2008, de acordo com relatório que a Editora Saraiva me enviou ontem.

Ainda é um número que o deixa longe de ser incluído na lista dos mais vendidos (os livros de auto-ajuda vendem bem mais do que isso). Mas é muito acima das minhas expectativas mais otimistas.

5 de fev. de 2009

Macarrão com as mãos

Se você nunca viu um bom chef chinês fazer macarrão usando apenas farinha, água, sal e as próprias mãos, vale a pena assistir a este vídeo:

Alguns meses atrás, assisti ao vivo a uma cena assim no Mr. Lam, o restaurante chinês do Eike Batista, no Jardim Botânico junto à Lagoa, no Rio de Janeiro. E achei o máximo.

4 de fev. de 2009

O endereço da Franchise Store

Várias pessoas têm escrito pedindo o endereço da Franchise Store. Aí vai: é Av. 9 de Julho, 4.400, em São Paulo.

Esse número fica exatamente na esquina da 9 de Julho com a Rua Martinica, nos Jardins. Para quem segue pela 9 de Julho em direção à Faria Lima, é a primeira esquina depois da Avenida Brasil.

Clique aqui para ver no Google Maps.

Marca é fundamental

Tá lá, na newsletter do Madia Mundo Marketing que recebi hoje: feito o balanço do NATAL de 2008, as vendas de praticamente todos os panetones "de marca" cresceram. Já os “sem marca”, ou “de marca própria”, venderam relativamente pouco. Muitos "encalharam" e foram dados como brindes (em compras acima de um certo valor) ou foram liquidados na base do "pague 1 e leve 2" ou até "pague 1 e leve 3".

Morador de rua passa no Vestibular, mas não consegue se matricular

Por não ter conseguido apresentar a tempo um documento que comprove que concluiu o Ensino Fundamental, o morador de rua piauiense Geovan de Sousa Araújo, de 38 anos - que conseguiu passar no Vestibular depois de 19 anos de tentativas frustradas - foi impedido de se matricular no curso de Matemática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Acontece que Geovan apresentou o comprovante de conclusão do Ensino Médio. E, até prova em contrário, não poderia ter concluído este se não tivesse concluído a fase anterior, não é mesmo?

E Geovan diz que apenas perdeu o tal Certificado de conclusão do Ensino Fundamental e já solicitou uma segunda-via à Secretaria de Educação do Piauí. Mas esta leva cerca de 20 dias para emitir essa segunda-via. Tempo suficiente para ele perder sua grande chance.

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul entende que, para se matricular, Geovan deveria apresentar os dois documentos no prazo estipulado para tanto. E que não é possível abrir uma exceção.

Minha grande dúvida é: será que não haveria uma exceção, caso Geovan fosse filho ou sobrinho de algum Deputado ou Senador?

Outra ação bacana da Cadbury

Proporcionando a quem espera o ônibus um jeito divertido de passar o tempo... ao mesmo tempo em que fixa a imagem da marca e do produto:

3 de fev. de 2009

Quer dizer que era apenas "atraso"?

Esta nota, quem me enviou foi a Prof. Marília Fanucchi Ferraz:

Diz ela que, em seu exame vestibular, uma universidade baiana cobrou dos candidatos a interpretação do seguinte trecho de poema de Camões:

'Amor é fogo que arde / sem se ver, / é ferida que dói e não se sente, / é um contentamento descontente, / dor que desatina sem doer '.

Uma vestibulanda de 16 anos deu a sua interpretação, também em forma de versos:

'Ah, Camões!, se vivesses hoje em dia, / tomavas uns antipiréticos, / uns quantos analgésicos / e Prozac para a depressão. / Compravas um computador, / consultavas a Internet / e descobririas que essas dores que sentias, / esses calores que te abrasavam, / essas mudanças de humor repentinas, / esses desatinos sem nexo, / não eram feridas de amor, / mas somente falta de sexo !'

Segundo a Prof. Marília, a Vestibulanda ganhou nota DEZ, pela originalidade, pela estruturação dos versos, das rimas insinuantes e por ter sido a primeira pessoa, ao longo de mais de 500 anos, a desconfiar que o problema de Camões era apenas falta de sexo.

As franquias e os executivos "em fase de transição de carreira"

A convite da DBM, uma das principais empresas de outplacement e aconselhamento de carreira do país (e do mundo), farei hoje uma palestra para cerca de 40 executivos "em fase de transição de vida profissional". Ou seja: que perderam seus empregos e estão em busca de novas oportunidades, o que, para muitos, implicará uma mudança radical de vida, já que empregos de alto nível nas grandes corporações são animais em extinção.

Traduzindo: para muitos deles, a saída será empreender. Seja criando um negócio do zero, ou se associando a um negócio já existente, seja se tornando consultores, seja partindo para a carreira acadêmica, seja adquirindo uma franquia. E é aqui que eu entro. Vou falar sobre os prós e contras de uma franquia e os principais cuidados que alguém deve tomar antes de investir seu tempo, seu dinheiro e suas esperanças numa franquia.

E, com certeza, vou convidar esses executivos a visitarem a Franchise Store, a primeira e única loja especializada na venda de franquias do Brasil.

2 de fev. de 2009

Da próxima vez que alguém te mandar pra PQP...

... você já sabe para onde ir (e pode até ir de ônibus).

A Leila Dayane Silva foi quem me falou que existe um bairro chamado Puta Que Pariu na pacata cidade de Bela Vista de Minas, MG. E até me mandou fotos do local:

Eu não quis acreditar e achei que as fotos eram montagem, mas depois descobri que é verdade mesmo. Pode clicar aqui para checar no Google Maps. O lugar existe!

Nem Dias Gomes teria pensado em criar um lugar com esse nome...

A dança das sobrancelhas

1 de fev. de 2009

Dá até vontade de sair para comprar Tic Tac

É claro que a Tic Tac (das balinhas) não teria como não patrocinar esse cara, que é genial. Note que todos os instrumentos são feitos com embalagens de Tic Tac. E que as próprias balinhas são fundamentais para gerar alguns dos sons (como "recheio" dos “chocalhos”, por exemplo).

Essas mulheres maravilhosas...

O caderno Aliás, da edição de hoje de O Estado de S. Paulo, traz na última página um perfil da batalhadora Dorina Nowill, a paulistana de 89 anos que ficou cega aos 17 e até hoje trabalha duramente pela inclusão dos deficientes visuais, através da Fundação que criou e que leva seu nome.

Mesmo sem a conhecer pessoalmente, tenho por essa senhora um carinho especial. No fim da vida, praticamente cega mas absolutamente lúcida, minha mãe se mantinha "antenada" no que acontecia e se distraía ouvindo fitas cassete com os textos integrais da revista Veja e de uma série enorme de livros lidos por voluntários da Fundação Dorina Nowill.

Ao ler a matéria hoje cedo, não pude deixar de pensar na minha querida amiga Mara Gabrilli (que ficou tetraplégica aos 26 anos e, mesmo sem mover nenhum músculo do pescoço para baixo, se elegeu vereadora por São Paulo duas vezes, criou uma ONG que apóia dezenas de atletas portadores de deficiências, trabalha como uma doida, namora, faz palestras e alegra a vida de quem dela se aproxima) e na Lara Syaulis (que ficou cega muito jovem e criou, junto com a mãe, Mara, e com o apoio do pai, Victor, a LaraMara - Associação de Assistência ao Deficiente Visual, que faz um trabalho belíssimo, capaz de emocionar qualquer um que o conheça de perto).

Mulheres guerreiras, que me fazem sentir vergonha das vezes em que desanimei (e ainda me desanimo) em face de problemas e dificuldades infinitamente menores do que os que elas enfrentam pela vida afora - e sem perder o bom humor, nem a esperança numa vida e num mundo melhor.

Essas três mulheres são um exemplo para todos nós. E mostram - não com palavras, mas com atos concretos - que mesmo num mundo de especulação e esperteza, cheio de políticos safados de todos os credos e de imbecis e de canalhas de todos os matizes, a gente não pode perder a fé, nem deixar de fazer o que estiver ao nosso alcance para fazer uma diferença positiva na vida dos que nos cercam e, assim, criar um futuro melhor.