31 de mai de 2007

Austrália X Brasil - Parte 1

Me perdoem o desabafo contido no comentário de uns dias atrás. Me desculpem a desanimada passageira. Já passou. Estou em Buenos Aires neste momento. E, conversando com amigos, clientes e associados daqui, que nos últimos anos enfrentaram barras até mais pesadas do que as nossas, me dei conta de que desanimar não leva a nada. Só torna mais fácil o jogo para os canalhas que fazem de tudo para afundar o nosso querido Brasil.

Obrigado por todos os comentários e e-mails que me enviaram. Como vários escrevaram, nós é que vamos ter que encontrar o caminho. Você e eu, leitor. Aliás, você, eu e os que são e pensam como nós. Os que querem fazer do Brasil um lugar decente para se viver. Não podemos depender dessa cambuta de fedapada que hoje domina os destinos da nossa Nação. Alguns dos quais parecem capazes de matar a própria mãe na véspera do Natal, só para ganhar um ingresso grátis para o Baile dos Órfãos.

Fuçando meus guardados, dei com um artigo que escrevi em 1999. Naquela época, minha empresa de consultoria tinha se associado a uma empresa especializada em Estratégias de Canais sediada em Melbourne, na Austrália. Por esse motivo, passei quase dois meses vivendo e trabalhando naquele país, participando de um programa de treinamento intensivo.

Durante todo o tempo, uma pergunta não me saiu da cabeça: por que motivo Austrália e Brasil, países que começaram de forma tão parecida (ambos ocupados, inicialmente, por degredados e outros párias) e têm tanta coisa em comum, acabaram seguindo caminhos tão opostos? Sim, a Austrália é um Brasil que deu certo. É aquilo que o Brasil poderia ser, mas não é. Onde foi que eles acertaram? Onde foi que nós erramos? Explorei esse tema no tal artigo, que agora reencontrei. Aos poucos, para não cansar você, leitor, vou reproduzir aqui neste espaço os principais trechos desse artigo, que, para minha surpresa (e infelicidade), continua atual.

Afinal, como já disse alguém, não há país no mundo que mude tanto em 20 dias e tão pouco em 20 anos, como o Brasil.

28 de mai de 2007

Para relaxar... e refletir

Aí vai uma historinha que um amigo me enviou hoje, por e-mail. Decidi publicá-la para compensar o "peso" do meu desabafo de ontem...

O CACHORRO:

Um açougueiro estava em sua loja e ficou surpreso quando um cachorro entrou. Ele espantou o bicho, mas logo o cãozinho voltou. Novamente tentou espantá-lo... e foi quando viu que o animal trazia um bilhete na boca.

Pegou o bilhete e leu: -"Pode me mandar, pelo cachorro, 12 salsichas e dois filés, por favor. Assinado: dono do cachorro".

O açougueiro notou que o cachorro segurava na boca uma nota de 50 Reais. Então, pegou o dinheiro, separou as salsichas e os filés, colocou num saco plástico junto com o troco e pôs a sacola na boca do cachorro.

E, como já era mesmo hora de fechar o açougue, decidiu seguir o animal.

O bichinho desceu a rua e, quando chegou ao cruzamento, deixou a sacola no chão, pulou e apertou o botão para o sinal de pedestres. Esperou pacientemente com o saco na boca, até que o sinal ficou verde e ele pode atravessar a rua.

Açougueiro e cão foram caminhando, até que o cão parou diante de uma casa e pôs as compras junto à entrada. Então, recuou um pouco, correu e se atirou contra a porta. Tornou a fazer isso, mas ninguém na casa respondeu.

O cachorro, então, circundou a casa, pulou um muro baixo, foi até a janela e bateu com a cabeça no vidro várias vezes. Feito isso, caminhou de volta para a porta da frente, que foi aberta por um homem que imediatamente passou a bater no cachorro com um pedaço de pau.

O açougueiro correu até esse homem e o impediu de continuar espancando o cão, dizendo: - "Por Deus do céu, o que você está fazendo? O seu cachorro é um gênio!"

A pessoa respondeu: - "Um gênio? Pois sim !!! É a segunda vez esta semana que este imbecil ESQUECE DE LEVAR A CHAVE !!!".

Moral da História: você pode continuar excedendo às expectativas, mas, aos olhos de algum idiota, estará sempre fazendo menos do que deveria.

27 de mai de 2007

"Transformam o país inteiro num puteiro..."

Não sei você, leitor. Mas eu estou cheio de tudo isso que anda acontecendo. Dos escândalos de cada dia, dos Silvinhos, Valérios, Zuleidos, Zaqueus, Jomarcelos, Renans "et caterva... Não agüento mais ! Estou perdendo o ânimo.

Você e eu somos empreendedores. Lutamos contra tudo e contra todos para criar empresas, riquezas, postos de trabalho, soluções... Temos uma necessidade de fazer isso que é mais forte do que nós mesmos. Enfrentamos (sem reclamar) a concorrência, nem sempre honesta. Conquistamos do mercado (a cada dia) o direito de continuar existindo. Damos a cara a tapa a consumidores cada vez mais informados, que têm à sua disposição inúmeras alternativas aos produtos, serviços, franquias e soluções que lhes oferecemos. Até aqui, morreu Neves. É exatamente isso o que fazem os empreendedores em qualquer lugar do mundo.

Mas, além disso, aqui neste patropi, batalhamos todo santo dia contra o tal Custo Brasil, contra impostos abusivos, contra a inércia e ineficiência do Estado, contra bancos que não bancam, contra uma legislação trabalhista imbecil e retrograda, contra pressões e depressões que empreendedores de outras partes não conhecem nem de ouvir falar. Em qualguer lugar do mundo, empreendedor que é empreendedor mata pelo menos um leão por dia. Só que a gente, no Brasil além do leão ainda tem que matar inumeráveis micos.

Como se tudo isso não bastasse, ainda temos que tomar conhecimento, todo santo dia, que um novo escândalo foi descoberto. Que mais um biltre meteu a mão no nosso bolso. Somos forçados a constatar que, quando se trata de fazer sacanagem, de tomar dinheiro do povo, de embolsar vantagens indevidas, a tão decantada criatividade do brasileiro decididamente não conhece limites.

Alguém já disse que a principal diferença entre os Estados Unidos e o Brasil é que lá a coisa pública é de todos e aqui a coisa pública não tem dono, não é de ninguém. Estaremos condenados a ser assim para sempre?

Será que não existe nada que você e eu possamos fazer para levar este país a concretizar todo o seu potencial? A ser realmente o paraíso que poderia ser, não fossem a ganância, a inoperância, o despreparo e a mais absoluta falta de vergonha na cara da vasta maioria de nossos chamados homens públicos?

Podemos fazer alguma coisa prática, concreta? Ou vamos ter que nos conformar em chafurdar na mistura de lama com bosta da imensa pocilga em que estes canalhas insistem em transformar esta terra amada, idolatrada, salve, salve?

25 de mai de 2007

O Empreendedor e a Atitude Mental

Toda criação humana acontece duas vezes. Um livro, uma canção, uma casa, uma hidrelétrica ou o que for, primeiro acontece na cabeça de quem o concebe. E só depois acontece no mundo concreto. Isso é tão verdadeiro com relação a uma empresa, como é no que se refere a qualquer outra criação.

Antes que você consiga fazer qualquer coisa se materializar e dar certo (inclusive uma empresa), é fundamental que acredite que ela pode acontecer e pode dar certo. Se não acreditar, as chances de sucesso vão a perto de zero.

Se você mesmo não comprar sua idéia, seu produto, sua empresa, como pode esperar que alguém mais compre? Se não acreditar no que faz e no que prega, quem mais vai acreditar?

Uma atitude mental positiva é um dos requisitos importantes para que um empreendimento se materialize e seja bem sucedido.

24 de mai de 2007

Workshop sobre Franquias em Buenos Aires

Meu sócio Fernando Campora e eu vamos a Buenos Aires dentro de alguns dias, conduzir um workshop sobre Franchising com um grupo de empresários convidados da Endeavor Argentina.

No segundo semestre, faremos o mesmo em Istambul, a convite da Endeavor Turquia.

21 de mai de 2007

Dinheiro deixou de ser o fator limitante nos negócios

Recentemente, estive com um grande investidor. Que me repetiu aquilo que venho ouvindo de outros investidores, inclusive alguns que representam fundos internacionais "bem musculosos": não falta dinheiro para investir em projetos. O que falta são bons projetos. E, mais que isso, bons tocadores de projetos.

Ou seja: o fator limitante deixou de ser a grana. O que significa uma imensa mudança no mundo dos negócios. Na verdade, hoje sobra grana no mercado. O elemento raro (e, portanto, limitante... e incrivelmente valioso) é GENTE. Aquilo que, num texto que escrevi neste Blog semanas atrás, identifiquei como "carregadores de tocha".

18 de mai de 2007

Um verdadeiro MBA intensivo em Empreendedorismo

Se você é, ou pretende ser, um Empreendedor, você PRECISA assistir a este vídeo que mostra o discurso que o genial Steve Jobs, fundador da Apple e da Pixar, que nunca se formou numa faculdade e teve que comer num templo Hare Krishna porque não tinha grana para comprar comida, fez como Paraninfo de uma turma de formandos de uma universidade da Califórnia.

Dura cerca de 14 minutos. E é imperdível do começo ao fim. Uma verdadeira lição de Empreendedorismo. Quase me atrevo a dizer que vale mais que muito curso que você pode encontrar por aí.

Para assistir ao vídeo inteiro em Inglês e sem legendas, CLIQUE AQUI.

Para assistir ao vídeo com LEGENDAS EM PORTUGUÊS, CLIQUE AQUI para a Parte 1 e AQUI para a Parte 2.

17 de mai de 2007

Livre-se dos picaretas. Espelhe-se nos bons exemplos.

Não perca a fé na Humanidade. Nem na sua capacidade de fazer acontecer... apesar dos que tentam te colocar para baixo.

Sei muito bem que o mundo está cheio de picaretas, de carinhas que traem os amigos e parceiros, de gente que mente, trapaceia, chafurda na mediocridade e acredita que só consegue triunfar se ferrar os outros e castrar os sonhos deles.

Mas também sei, por experiência própria, que esses caras são minoria. Parecem dominar o planeta, de tanto que incomodam. Mas são uma minoria desprezível. No mundo tem muito mais gente decente do que f.d.p.

Portanto, trate de se cercar de quem presta, de quem põe você para cima e lhe dá estímulo. De quem dá bom exemplo, de quem tem atitude de construir. E que empreende, constrói, faz acontecer.

Lembre-se de que, como diz meu amigo e guru cuja foto aqui está Bud Hadfield (um texano que quebrou 8 vezes, em 8 ramos de negócio diferentes, mas nunca perdeu a fé e, aos 44 anos de idade, montou seu primeiro negócio bem sucedido, a Kwik Kopy... e ficou multimilionário), "vencer é um hábito".

Cerque-se de quem tem esse hábito. E pode contaminar você positivamente.

Quanto aos f.d.p., deixe-os para lá, que eles se ferram sozinhos. De forma geral, esses caras têm o péssimo hábito de se aproximar de quem é ainda mais escroto que eles. E uns acabam desgraçando os outros.

Mercado de franquia está de luto

Está de luto o mercado brasileiro de franquias. Morreu, há 2 dias, um de seus pioneiros, o mineiro Hélio Valadão, fundador da rede P&C (Pão & Cia) e meu amigo. Um homem de bem. Amigo dos amigos. Um cara simples, humilde. Um fazedor. Sempre com uma palavra boa para dizer a quem dele se aproximava. Vai deixar saudades.

O aprendiz... de Logística

O programa O Aprendiz de hoje envolverá uma prova de Logística, envolvendo os caminhões e instalações do Grupo Luft. A equipe vencedora ganha uma viagem a Paris.

16 de mai de 2007

Artigo sobre Inovação nos negócios

Você não pode perder o artigo de Clemente Nobrega publicado na Época Negócios deste mês. Se ainda não leu, corra para comprar a revista e leia.

Ao longo dos últimos 20 anos, tenho tido o privilégio de conviver com o Clemente. Atualmente, estamos trabalhando juntos num projeto altamente desafiador. Conto nos dedos as vezes, ao longo de todo esse tempo, em que saí de uma conversa com ele sem uma idéia nova. Ou sem me sentir seriamente incomodado por um novo pensamento ou pela necessidade de repensar minha opinião a respeito de algum tema.

Clemente está Anos Luz à frente gurus de araque e dos magos da (blerrrgggghhh) auto-ajuda que, como dizia minha avó, o diabo caga às dúzias. Seus textos provocam reflexão, questionamentos, visões que vão além dos números pelos números para analisar o que está por trás dos sucessos e insucessos das empresas.

15 de mai de 2007

Vida de empreendedor

Vamos encarar um fato da vida. Nem bom, nem ruim. Um fato. Quando você inicia um novo negócio, um novo empreendimento de qualquer espécie, deve avaliar, planejar e executar tudo da melhor forma possível, para reduzir seus riscos ao mínimo e potencializar os resultados, certo?

Só que, por mais cuidadosamente que planeje e execute seu plano, o resultado depende, em boa parte, de variáveis imponderáveis: o mercado, a legislação, a economia local e mundial, as ações e reações dos concorrentes, o surgimento de substitutos para o seu produto ou serviço e mais uma série de coisas. Não há como prever muito disso. É como velejar de um porto a outro: você pode (e deve) traçar a rota, equipar o barco, checar as velas, o cordame e as provisões. Mas não tem como garantir que o vento, a chuva e as ondas se comportem da forma que convém. O poeta espanhol Antonio Machado já disse que no mar "no hay camino, se hace camino al andar".

Portanto, embora deva planejar e executar com cuidado, você não tem como saber no que seu empreendimento vai dar. Pode dar muito mais certo do que você esperava, ou pode dar com os burros n'água.

Sendo assim, trate de se divertir com ele. Ter sucesso na montagem e gestão de um negócio não tem a ver apenas com chegar a um resultado, a um destino. Tem muito a ver com curtir a viagem até lá.

14 de mai de 2007

Ôrra meu, olha só...

Capa da Vejinha Rio desta semana, a filial carioca da Pizzaria Bráz é um sucesso estrondoso. Faturamento superior ao esperado, filas enormes nos horários de pico e (supresa !) ticket médio superior ao alcançado pelas filiais paulistanas da mesma marca. Virou point. Pegou no ato.

Essa incursão no mercado do Rio é mais uma bola dentro da moçada hiper-profissional da Cia. Tradicional de Comércio, que em São Paulo já opera casas de êxito indiscutível como o Original, o Pirajá, o Astor, a Lanchonete da cidade, o Quintal da Bráz e as várias filiais do próprio Bráz. Como frequentador e fã, torço para que venham outras tão bem sucedidas quanto. Em São Paulo, no Rio e por todo este Brasil. E (por que não?) até fora daqui.

13 de mai de 2007

Um empresário com visão clara

Imperdível a entrevista com meu amigo e cliente Vicente Donini, presidente da Marisol, na coluna de Sonia Racy, no Estadão de hoje.

Além de ser um empresário dos bons, de sucesso indiscutível, com R$ 500 Milhões de faturamento anual e 152 franquias em funcionamento no Brasil e mais 20 no Exterior, Vicente tem sólida formação teórica. O que o credencia duplamente para tecer os comentários contundentes que faz nessa ótima entrevista. Aqui vão alguns dos trechos mais relevantes:

"A exacerbação arrecadatória e a complexidade do sistema tributário brasileiro fragilizam a capacidade competitiva de toda a indústria local."

"No Plano Real, 34% do preço de um produto correspondia a encargos financeiros e tributários. O consumidor despendia 100 e levava 66 de produto para casa. Hoje os encargos correspondem a 46%. A perda palpável do real poder de compra é de 18,2%."

"A construção de canais de distribuição e crescimento é processo lento e gradual, que requer rigoroso critério nas escolhas, persistência e muita disciplina."

"[Para trabalhar em moda] é primordial entender de moda. E de gente. E de cultura. E, ainda, ter um forte domínio sobre processos produtivos, canais de distribuição e gestão de varejo..."

12 de mai de 2007

Gente! Sgt. Pepper's faz 40 anos !

Me perdoem o lugar comum, mas parece que foi ontem. No dia 12 de maio de 1967, um dos melhores discos de todos os tempos tocou pela primeira vez no rádio. E, dois dias depois, chegou às lojas. E foi um sucesso instantâneo, como tudo mais que os Beatles faziam.

E, afora a nostalgia de um cinquentão que acompanhou a carreira dos Fab Four desde o início como fã de carteirinha, qual o motivo para o quarteto ser mencionado num Blog que trata de empreendedorismo, inovação, etc.?

Precisamente porque, na minha visão, os Beatles (enquanto permaneceram juntos e sob a coordenação do brilhante maestro George Martin) foram um exemplo de empreendedorismo e inovação. Nunca se acomodaram, nunca permitiram que o sucesso os engessasse. Nunca se repetiram. Nunca acreditaram que um acerto, ou mesmo uma série de acertos, é garantia de acertos futuros. Nunca fizeram duas vezes "o mesmo disco" ou "a mesma música" (como acontece com tanta gente ótima, como Rolling Stones, Roberto Carlos, Joge Benjor e mesmo o grande Frank Zappa, por exemplo, só para ficar nos que têm mais tempo de janela e, portanto, mais história para contar).

Os caras sempre fizeram questão de inovar, de experimentar. Nem sempre acertando, é óbvio. Mas sempre buscando uma forma diferente e um pouco melhor de fazer o que se propunham a fazer. Uma inspiração para qualquer empreendedor.

11 de mai de 2007

Coisas que nem todo mundo sabe

1- os sofás, poltronas, mesas e aparadores dos aposentos onde o Papa Bento XVI ficou hospedado, em São Paulo, foram fornecidos pela Saccaro, comandada pelo meu amigo João Saccaro. Que tem o direito de se sentir muito orgulhoso.

2- O Boticário já tem 2 lojas exclusivas em funcionamento nos EUA: uma em Rochester (New York) e outra em New Jersey. Estou seguro de que, um dia, o mercado norte-americano estará coalhado de lojas dessa marca que é tão brasileira.

3- a Marisol acaba de inaugurar mais uma franquia de loja Lilica & Tigor na Europa. Desta vez, em Madrid, Espanha. Franquias da marca já operam na Itália, em Portugal, no México e na Guatemala. Sem falar, é claro, das mais de 100 que funcionam no Brasil. Isso me enche de orgulho, pois minha equipe e eu participamos do projeto desde a concepção do negócio. Me sinto um pouco "padrinho" dessas franquias.

10 de mai de 2007

Contrato num guardanapo de papel. E deu certo !

Meu amigo Alberto Saraiva, um empreendedor incansável, fundador e presidente do Habib's, me conta que seu primeiro contrato de franquia foi escrito e assinado num guardanapo de papel, na mesa de sua loja de Santo André, na região do ABCD. E a franqueada, Bia, que eu conheço bem, continua na rede até hoje.

Eis aí um bom contraponto à paranóia jurídica evidenciada nos meus posts de ontem e anteontem (ver logo abaixo).

9 de mai de 2007

Mais etiquetas cômicas... se não fossem trágicas

Atendendo a pedidos, aí vão (em continuação ao post de ontem - ver logo abaixo) mais alguns alertas absurdos, estampados em produtos comercializados nos EUA, ou nos respectivos manuais:

"Não use perto de fogo, brasa ou fagulhas", num acendedor de lareiras da marca Aim 'n Flame;

"Este produto não se destina a uso como broca dental ou em aplicações médicas", numa furadeira de madeira da marca Dremel;

"Pode causar sonolência", num frasco de remédio para dormir da marca Nighttime Sleep-Aid, da Nytol;

"Não permita que crianças brinquem no interior desta lava-louça", numa máquina lava-louça da marca Bosch;

"Se você não compreende, ou não consegue ler, todos os avisos, recomendações e alertas, não utilize este produto", num frasco de líquido para desentupir ralos; e

"Este produto se move, quando em uso", num patinete da marca Razor.

8 de mai de 2007

Os advogados são todos paranóicos?

Fuçando uma livraria em Miami, deparei com um livrinho irresistível, contendo textos de etiquetas com alertas absurdos colocadas em produtos comercializados nos EUA. Como, por exemplo, aquela que dá nome ao livro, "Remova a criança antes de dobrar", colada num carrinho de bebê dobrável, da marca Century's TraveLite.

Há avisos simplesmente hilários, como estes:

"Nunca utilize este secador de cabelo enquanto estiver dormindo", num secador da marca Revlon;

"Não coma o tonner", num cartucho para impressora da marca Ricoh;

"Não use como tapa-ouvidos nem em nenhuma outra função que envolva inserção em alguma cavidade do corpo", num pacote de velas de aniversário;

"Não deve ser usado por crianças com menos de 3 anos de idade", num botton que diz "tenho 2 anos", para ser usado pelo aniversariante, na sua festinha do segundo aniversário;

"É perigoso engolir este produto", numa embalagem de anzóis de 3 ganchos;

"Atenção: comer pedras pode resultar em dentes quebrados", num estojo de pedras destinadas a uso em aulas de Ciências para crianças;

"Não utilize este produto se sua próstata estiver acima do tamanho normal"... num frasco do remédio Midol, destinado a tratamento de Síndrome Pré-Menstrual (nossa velha TPM); e

O meu favorito: "Mantenha fora do alcance de crianças", num tubo de pasta de dentes infantil.

Pode parecer cômico, mas é trágico. Afinal, esses avisos resultam da paranóia dos advogados das empresas que os estampam em seus produtos. Se bem que, como dizia um dos meus professores do curso de Mestrado em Direito na New York University, "o simples fato de nós, advogados, sermos todos paranóicos não significa que 'eles' não estão realmente lá fora, esperando a hora certa de nos pegar".

O fato é que a sociedade norte-americana se tornou absurdamente litigiosa. O país está cheio de espertinhos e advogados "de porta de supermercado" prontos a processar a todos por tudo. Foi-se o tempo em que um gringo que derramasse café quente nas próprias pernas simplesmente dizia um palavrão e se achava um imbecil. Hoje, o cara liga imediatamente para o advogado e processa o estabelecimento onde comprou a bebida.

Ou você acha que é sem motivo que as xícaras de café vendidas em várias redes de cafeterias e lanchonetes nos EUA agora vêm com o aviso "Bebidas quentes são quentes"? Pode parecer piada, mas garanto que não é.

7 de mai de 2007

Franquias = países diferentes, angústias iguais

A Mesa Redonda sobre Franquias que coordenei no Entrepreneurs Summit da Endeavor, em Miami, dias atrás, comprovou: os problemas e angústias dos franqueadores são mais ou menos os mesmos na maior parte dos países.

Participaram da Mesa Redonda franqueadores e empresários interessados em se tornar franqueadores que vivem em países distintos, como México, Turquia, África do Sul, Argentina, Chile e outros. E suas grandes inquietações giram em torno dos mesmos temas que afligem os franqueadores brasileiros: "como faço para vender (ou vender mais) franquias?", "como posso ter certeza de que meu franqueado resporta e paga os royalties devidos?" e "como me garanto contra a deturpação, pelo franqueado, do conceito de negócio?".

Mercado espanhol é do tamanho do brasileiro

Meu sócio Fernando Campora acaba de chegar da Espanha, onde esteve acertando os ponteiros com nosso parceiro de lá, para incrementar nossas atividades conjuntas. E voltou impressionado com o mercado de franquias de lá. São quase 1.000 marcas e cerca de 60.000 unidades franqueadas. E isso num país com apenas 40 Milhões de habitantes. Mas com o mesmo número de consumidores efetivos existentes no mercado brasileiro.

6 de mai de 2007

O que faz de um Empreendedor um Empreendedor?

Dois leitores me escreveram perguntando como definir um Empreendedor. Conheço várias definições, mas a que mais me agrada (porque entendo que é a que melhor expressa o que penso que faz de alguém um verdadeiro Empreendedor) é a de Jeffrey Timmons.

Numa tradução para lá de livre, Timmons diz que Empreendedor é aquele que cria algo de valor a partir de praticamente nada. Ou seja: que identifica ou constrói uma oportunidade e faz de tudo para concretizá-la, sem se deixar limitar pelo fato de não deter, no momento em que inicia sua jornada, todos os recursos a tanto necessários.

5 de mai de 2007

Garra de empreendedor

Ontem, tomando café da manhã ao lado do canal que separa Brickell Key de Miami, uma vista maravilhosa, perguntei a Leila Velez, sócia da rede de cabeleireiros Beleza Natural (que um banqueiro de investimentos de Nova York que participa do Global Advisory Board da Endeavor Global chamou de "o Starbucks dos salões de beleza") e Empreendedora Endeavor, onde ela havia aprendido a falar tão bem o Inglês. Afinal, ela havia me contado a respeito de sua origem super humilde.

Ela me contou que, adolescente, trabalhando como atendente numa loja McDonald's no Rio de Janeiro, se deu conta de que não falar Inglês era uma limitação ao seu crescimento profissional e pessoal. Como não podia pagar um curso, foi ao IBEU, em busca de uma bolsa de estudos. Não havia. E ela propôs aos donos da escola uma troca: trabalharia um semestre na secretaria da escola, durante suas horas vagas, ajudando nas tarefas burocráticas e, como pagamento, teria o direito de cursar o semestre seguinte. E assim foi. Trabalhando um semestre para ganhar o direito de frequentar as aulas no seguinte, Leila completou o curso. Com excelente aproveitamento, diga-se de passagem. E hoje conversa de igual para igual com banqueiros, venture capitalists e empresários do mundo todo.

Fico pensando nas centenas de pessoas que conheço que sabem que deveriam fazer algo para subir na vida, para se aprimorar, para realizar um sonho, para superar uma limitação... e não fazem nada, porque acham tudo difícil ou impossível. Ficam com a bunda na cadeira, esperando que a oportunidade venha lhes bater à porta, em lugar de correr atrás dela, como fazem as pessoas que dão certo na vida.

Que gente como a Leila lhes sirva de inspiração. Acorda, moçada !!!

Atirando os paradigmas pela janela

Bossa Nova se toca com violão, certo? E harpa só serve para tocar guarânia e aquelas musiquinhas chatas de Natal, com as quais até alguns anos atrás o falecido Mappin aporrinhava a vida de quem trabalhava no Centrão de São Paulo, certo? Errado !

Uma noite dessas, no lobby do hotel Mandarin Oriental, em Miami, tinha um carinha tocando Bossa Nova e Jazz numa harpa. E tocando muito, mas muito mesmo. De todo mundo aplaudir.

Mais uma boa oportunidade para a gente se dar conta de que sempre dá para fazer diferente aquilo que sempre foi feito do mesmo jeito. Que sempre dá para inovar.

4 de mai de 2007

Mundo cada vez mais plano

Thomas Friedman, autor do bestseller "O Mundo é Plano", anunciou que a nova edição, que sai em agosto nos Estados Unidos, vai conter alguns novos capítulos. Um deles dedicado, em boa parte, a falar da Endeavor, que ele considera um modelo.

Segundo ele, a Endeavor é uma das poucas organizações com condições efetivas de causar um impacto positivo verdadeiro no desenvolvimento das chamadas Economias Emergentes (como Brasil, México, Índia, Turquia e demais países onde essa ONG se faz presente). Não é sem motivo que o slogan da Endeavor Global é: "empreendedores de alto impacto. Mudanças de alto impacto".

Nova franquia na praça

Depois de anos crescendo apenas de forma orgânica (ou seja: com restaurantes próprios), a tradicional rede Galeto's decidiu adotar o modelo de franquias. E começa a buscar franqueados nas principais capitais brasileiras.

Em princípio, todas as franquias deverão ser instaladas em shopping-centers. E terão, em média, entre 350m² e 400m².

2 de mai de 2007

Flashes do Entrepreneurs Summit

Continuo em Miami, participando do Entrepreneurs Summit. Aqui vão alguns toques importantes dados por alguns dos palestrantes e participantes. A sabedoria e experiências contidas em algumas dessas frases valem por um MBA:

"Quanto maior o problema, maior a oportunidade". [Lisa Seelig, Diretora Executiva do Programa de Empreendimentos em Technologia da Universidade de Stanford]

"Sem problema não há oportunidade. E sem oportunidade não há negócio. Ninguém está disposto alguém para resolver um não-problema". [Vino Khosla]

"Se o sapato não serviu na loja, certamente não vai servir em casa. Confie nos seus instintos e, sempre que tiver uma dúvida com relação a confiar num parceiro, não tenha dúvida: caia fora do negócio, por melhor que pareça." {Jason Green]

Depois tem mais. Que agora eu vou passear de barco.

1 de mai de 2007

Decidi mudar tudo

Continuo em Miami, participando do Entrepreneurs Summit da Endeavor. Uma grande chance para aprender muita coisa, reciclar as idéias e alimentar os neurônios. Fantástico !

Hoje, durante a sessão de perguntas e respostas com Michael Dell, tive um insight: não está certo me limitar, neste meu blog e na minha vida profissional de forma geral, a falar só de Franquias. O Franchising não pode ser visto como um fim em si mesmo. É uma ferramenta maravilhosa composta de uma série de outras ferramentas fantásticas que permitem criar e expandir negócios com maior chance de sucesso. Se é assim, falar apenas de franquias é querer limitar a mim mesmo e aos leitores.

Durante o almoço, me sentei ao lado de meu amigo (e cliente) Mario Chady, Presidente do Spoleto, uma cara inteligente, visionário e fazedor. Um empreendedor dos bons. Que, lá pelas tantas, resolveu me dar uma sugestão. Sabem qual? Não restringir o que escrevo, as palestra que faço, os eventos que organizo e os cursos que ministro apenas a coisas ligadas a Franquia. Ampliar meu discurso, da mesma forma que já ampliei minha atividade de consultoria e no Terceiro Setor (e meu envolvimento cada vez mais intenso com a própria Endeavor é prova disso), para abranger temas como Empreendedorismo, Criação e Expansão de Negócios, Viabilização de Empresas, Criação de Valor e outros mais.

Portanto, a partir de hoje, vou usar este Blog para explorar (sem remorsos) toda e qualquer idéia que, a meu ver, tenha conexão com tudo isso. Sem deixar de falar de Franquia, é claro. Mas sem tampouco ficar refém do Franchising.

Espero que os leitores aprovem.